Mais festa no resort. E arrocho para quem trabalha!

Mais uma vez, a gestão da Empresa realiza a celebração dos resultados do chamado “Pacto” por Resultados. E, mais uma vez, o cenário escolhido é o luxuoso Tauá Resort, espaço incompatível com a realidade enfrentada diariamente pelos trabalhadores e trabalhadoras que, de fato, garantem os resultados que serão “comemorados”.

Enquanto se prepara um evento caro, cercado de conforto, estrutura sofisticada e toda a pompa institucional, os(as) empregados(as) seguem lidando com uma realidade dura: salários defasados, perdas acumuladas, sobrecarga de trabalho, equipes reduzidas e diária de campo que muitas vezes não é suficiente nem para garantir uma alimentação digna durante as atividades externas.

A diretoria da Empresa celebra resultados recordes, crescimento da arrecadação e superação de metas, conquistados com o esforço de cada trabalhador(a), mas evita responder à pergunta que realmente importa: se os resultados são tão positivos, por que os(as) trabalhadores(as) continuam acumulando perdas salariais e assistindo ao permanente adiamento de negociações e de direitos já reconhecidos, inclusive judicialmente? O dinheiro aparece para eventos de autopromoção, mas desaparece quando se trata de negociar as datas-bases em que não houve sequer a recomposição da inflação ou garantir progressões na carreira, negadas há anos.

O chamado “pacto”, construído sem negociação, sem diálogo, aprofunda ainda mais a divisão interna ao transformar o esforço coletivo em reconhecimento para poucos. Cria-se uma falsa lógica meritocrática que ignora que todos(as) contribuíram para os resultados apresentados. Quem não aderiu ao modelo unilateral é simplesmente excluído, como se não tivesse participado da construção dos excelentes números que servem de vitrine para a gestão e para o governo do Estado. Um palco extremamente restrito, enquanto o mérito é do esforço coletivo.

A indignação cresce ainda mais quando transforma-se dever institucional em prêmio, enquanto direitos reais seguem sendo negados. Ao mesmo tempo em que trabalhadores(as) lutam para manter suas atividades em condições cada vez mais difíceis, assiste-se à realização de eventos luxuosos financiados com recursos gerados pelo próprio suor da categoria.

A mensagem transmitida é clara, e profundamente contraditória: para promover a alta gestão, celebrações caras; para quem sustenta a Empresa todos os dias, contenção, silêncio e espera interminável por negociação daquilo que realmente importa para os(as) trabalhadores(as). O contraste entre discurso e prática não poderia ser mais gritante: em vez de valorização, dificuldades pelo arrocho salarial imposto.

Os(as) empregados(as), que cumprem metas cada vez mais exigentes e mantém a credibilidade da Empresa diante da sociedade, sabem que reconhecimento não se faz com festa em resort. Reconhecimento se faz com salário digno, isonomia, condições adequadas de trabalho e respeito às negociações coletivas.

O que os(as) trabalhadores(as) querem não é luxo, nem espetáculo institucional. Querem aquilo que é justo: negociação de verdade, recomposição das perdas salariais, progressão na carreira e valorização concreta. Porque não existe resultado sem trabalhador(a), e não há gestão eficiente quando se escolhe ostentar, enquanto a maioria enfrenta dificuldades crescentes para exercer seu trabalho e sustentar suas famílias.

Chega de festas caras enquanto direitos seguem ignorados. A diretoria da Emater precisa atender as demandas que são urgentes e inadiáveis para os(as) empregados(as). Avançar, de fato, significa sair do discurso e garantir valorização concreta, com medidas objetivas que devolvam dignidade, isonomia e salários justos à categoria.

Valorização se faz com direitos respeitados, não com discurso. Trabalhador não precisa de espetáculo, precisa de respeito com suas reivindicações, negociação séria e valorização de verdade!

Diretoria Colegiada – SINTER-MG