SINTER aponta sobrecarga e desvalorização dos trabalhadores da EMATER-MG em audiência pública na ALMG
Foto: Daniel Protzner – ALMG
Durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na última quarta-feira (15/4), que debateu os desafios da extensão rural e as demandas dos(as) trabalhadores(as) da Emater, o diretor de Assuntos de Agricultura e Reforma Agrária do SINTER, Henrique Queiroz Borges, expôs a realidade enfrentada pela categoria.
Os(as) trabalhadores(as) da Emater enfrentam defasagem salarial, metas incompatíveis com a realidade de trabalho e a significativa redução do quadro de pessoal, o que tem gerado impactos diretos na saúde física e mental dos(as) trabalhadores(as).
As perdas inflacionárias acumuladas chegam a cerca de 21%, sem qualquer perspectiva concreta de recomposição salarial ou avanço em políticas efetivas de valorização. Soma-se a isso a falta de isonomia no pagamento das progressões horizontais, que hoje contempla apenas parte dos(as) trabalhadores(as), gerando desigualdade e prejuízos à categoria.
Outro ponto criticado foi a estagnação do Plano de Cargos, Salários e Carreiras, uma demanda histórica dos(as) empregados(as) e essencial para garantir a sustentabilidade e a atratividade das carreiras técnicas dentro da empresa.
Henrique também chamou atenção para a drástica redução do quadro de pessoal. A Emater já contou com mais de 3.800 trabalhadores e hoje opera com cerca de 1.800, uma defasagem diretamente ligada à baixa atratividade da carreira, consequência de salários abaixo do mercado e do não pagamento do piso salarial pelo Estado. No último concurso, a cada quatro convocados, apenas um permaneceu, evidenciando a evasão crescente de profissionais.
O cenário se agrava com a redução da participação financeira do Estado, que caiu de 80% para 59% em 2025. Essa diminuição tem asfixiado municípios e escritórios locais, que passam a arcar com parte significativa dos custos. O modelo atual de convênios com prefeituras limita ainda mais a atuação: equipes que deveriam contar com cinco a oito profissionais operam, muitas vezes, com apenas um ou dois trabalhadores, por falta de recursos.
Quando falamos em fortalecer a assistência técnica e a extensão rural gratuita em Minas Gerais, falamos também de segurança alimentar e nutricional, com produção de alimentos saudáveis, geração de emprego e renda, equilíbrio ambiental, inclusão produtiva, formalização da renda e regularização da produção, onde entra o valoroso serviço prestado pelos(as) profissionais de bem estar social, fundamentais na verticalização da produção com agregação de valor aos produtos, profissionais que os quadros estão cada vez mais reduzidos na empresa.
O contexto exposto compromete não apenas os(as) trabalhadores(as), mas a própria capacidade da EMATER-MG de cumprir sua missão institucional. Trata-se de uma empresa estratégica para o desenvolvimento de Minas Gerais, que segue apresentando resultados expressivos, porém às custas de trabalhadores cada vez mais sobrecarregados e desvalorizados.
A participação do SINTER na audiência reforçou a necessidade urgente de medidas concretas para reverter esse cenário. Entre as principais reivindicações estão a recomposição salarial, a realização de concurso público e a reestruturação do plano de cargos, salários e carreiras, com participação efetiva do Sindicato e dos(as) trabalhadores(as).
O SINTER defendeu ainda a construção de soluções que contem com o apoio do Legislativo, para garantir a sustentabilidade da empresa e a continuidade da política pública de assistência técnica e extensão rural no estado.
A qualidade e a continuidade dos serviços prestados pela EMATER-MG estão diretamente ligadas à valorização de seus trabalhadores e trabalhadoras. Não há política pública forte com trabalhadores fragilizados.
Com informações da ALMG.


